Acidente? Tem certeza?

Quero primeiro avisar que este post não tem a ver com sexo, nem com depressão, nem com corações partidos. É um assunto sério, seríssimo, e peço – mesmo – que vocês divulguem. Pensem a respeito. Repassem para os amigos. Por favor. 

Nesta semana aconteceram três “acidentes” fatais no turismo que foram divulgados pela mídia.

O primeiro foi o chocante atropelamento da garotinha de três anos em Bertioga. Por um jet ski.

Depois, Maiza Tavares morreu em Água de Lindoia quando o cabo da tirolesa se rompeu.

Hoje uma adolescente de 14 anos morreu no Hopi Hari.

Pessoas totalmente diferentes, em lugares diferentes, com causa mortis diferentes. Será? Será que foram meros acidentes?

Eu respondo, utilizando um recurso que se um ex-chefe meu soubesse, me mataria: o dicionário (muitos jornalistas têm mania de usar isso, e esse meu ex-chefe tinha horror à prática).

acidente
a.ci.den.te
sm (lat accidente) 1 O que é casual, fortuito, imprevisto.

Vamos ver isso caso a caso. Criança em Bertioga foi atropelada por um jet ski pilotado por um garoto de 14 anos. Somente maiores de idade podem pilotar e precisam ser habilitados para isso (leia mais a respeito no post do Sakamoto que eu indico na própria notícia). Acidente?

Tirolesa: como ainda não há muitas informações a respeito, eu digo que uma tirolesa não é somente pendurar uma corda de um lugar mais alto e amarrá-la no chão, para que a pessoa, ao escorregar, caia em uma linda poça d’água. Não. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem regras bem específicas sobre altura, peso suportado, manutenção, monitoramento (há que existir, por exemplo, uma pessoa habilitada no local da partida e outra no local da chegada). As regras seguem aquelas fórmulas físicas mesmo. É cedo para dizer que o sítio onde Maiza morreu não seguia essas regras? Talvez. Mas um cabo de aço não se rompe do nada.

Vamos então ao Hopi Hari. A adolescente pagou um ingresso e achou que ali dentro estava segura. Eu usei aquele mesmo brinquedo mil vezes. Adorava. ADORAVA. Até que em 2007 eu fui ao parque e me assustei com o abandono. Pintura descascando, falta de monitor em alguns brinquedos… Cheguei até a mandar um e-mail pra lá. Disse que se eles não se preocupavam assim com a aparência, qual preocupação eles teriam com a segurança? Não tenho mais o texto guardado, pois o contato foi pela caixinha de mensagem no próprio site do Hopi Hari. Tenho apenas a prova do recebimento, numa mensagem automática de 19 de outubro de 2007.

Alguns dias mais tarde me ligaram do parque. Com muita educação, me explicaram que o Hopi Hari estava passando por mudanças significativas e que em breve estaria tudo ok. Eu agradeci o contato, falei que nunca mais colocaria meus pés lá mas que confiava na palavra da simpática moça. “Não quero que aconteça um acidente por aí”, disse.

Agora vocês devem estar se perguntando a razão pela qual eu escrevo tudo isso aqui ou resmunguei tanto no Twitter nesse começo de tarde. Algumas pessoas, logo no início desse blog, me xingaram dizendo que eu devia me preocupar com coisas “mais importantes”, me “engajar em causas relevantes” e toda essa bobagem (como se falar sobre sexo fosse inútil).

Pois bem. Há nove anos eu sou engajada, sim, numa causa que me é muito, muito cara: a da segurança em turismo/esportes de aventura. Façam suas contas aí, sejam espertos e descubram do que eu estou falando.

Há quase uma década eu luto incansavelmente para que as regras de segurança sejam respeitadas. Por isso que eu mandei o e-mail para o Hopi Hari. Não sou o tipo de pessoa que faz cara feia nem pro garçom, imagina se eu ia me incomodar em escrever uma mensagem enorme pra um parque de diversões. Fiz porque achei que era meu dever como cidadã. Como uma pessoa que já sentiu na pele o que é ver um ente querido virar estatística. Mera estatística.

Porque é exatamente isso que acontece: rapidamente o Hopi Hari vai dizer que X pessoas foram ao parque nesses anos de atividades, mas que somente X/1000000000000 sofreram algum tipo de machucado. A adolescente de 14 anos vai virar um número. Sem nome. Sem rosto. Sem sonhos. Um número.

Mas por trás dela há uma família. Uma família que hoje vai liberar um corpo no IML, vai lutar na justiça por uma indenização e vai ouvir de um burocrata qualquer exatamente que foi “uma fatalidade”. Não. Num “brinquedo” como aquele, a manutenção é essencial. É preciso registrar as horas de uso de cada peça; conferir o funcionamento antes do parque abrir. Tudo isso está numa lista de regras assinada pelos donos dos principais parques de diversões do país. Regras essas que, aliás, não têm força de lei.

Resumindo, é isso: essas regras são feitas pelas próprias pessoas que exploram as atividades. No caso da ABNT, as normas parecem ter respaldo técnico e demoraram anos para serem concluídas. Mas quem fiscaliza? Você não é obrigado a obedecer, se não quiser.

Sabem aqueles passeios de bugue nas dunas do nordeste? Que o motorista – muitas vezes não habilitado – te pergunta se você quer com ou sem emoção? Pois é. Você vê as fotos da galera super animada sentada na parte externa do bugue e segurando naquele negócio cujo nome desconheço (aquela barra entre os bancos traseiros e dianteiros). Todo mundo de biquini e sunga, feliz e bronzeado. A regra diz que as pessoas devem estar DENTRO do carro e com cinto de segurança. Para todos. Alguém segue isso?

Há casos ainda piores, em que a própria atividade é proibida. PROIBIDA. É o caso do voo duplo. É, aquele mesmo que você vê na TV, com os globais dizendo que foi a experiência da vida deles. A Agência Nacional de Aviação Civil diz que tais voos só podem ser feitos com fins instrucionais. Por causa disso é que os pilotos se autointitulam “instrutores” e dizem que você está pagando uma “matrícula”, quando na verdade você está só de férias no Rio e nunca mais vai se pendurar numa asa delta ou num parapente.

Porque eles BURLAM a lei. Eles fingem que estão “dando aula”, mas na verdade estão fazendo um voo panorâmico. Eles cometem uma ilicitude. E ganham MUITO dinheiro com isso. MUITO. E, agora sim eu posso dizer de cadeira: não fiscalizam, não treinam os pilotos e usam asas e parapentes desgastados, velhos e que QUEBRAM NO AR.

Se algo acontecer com você em alguma dessas atividades, você vai virar uma Maiza, ou a adolescente de 14 anos, ou ainda a garotinha de três. A notícia vai chocar alguns. Outros nem vão ficar sabendo. Quem explora a atividade vai te transformar em estatística. Mas seus pais, irmãos, amigos, namorados ficarão eternamente com uma sensação de impotência e revolta. Pra eles você tem nome, sobrenome, sonhos, planos de futuro.

Vejam a matéria de Denise Odorissi, do R7, sobre os casos da semana com a querida Silvia Basile, uma pessoa séria e que luta  há anos pela causa. 

Por tudo isso, eu dedico esse post e essa música a você, my dear. I love you loads and loads. 

 

Compartilhar

72 ideias sobre “Acidente? Tem certeza?

  1. se nao me engano, ano passado teve acidente com fratura exposta no playcenter

    quanto ao caso do jetski, já dizem por aqui onde eu moro que o dono do veículo é o candidato a prefeito dos tucanos desse ano aqui na cidade… logo saberemos se é verdade

    verdade é que praticamente todos os tipos de fiscalizações aqui no nosso país são falhos

  2. Querida Letícia, adorei ler este post. Sou (pouco) mais velho que vc e por isso, talvez, esteja ainda mais indignado que vc em razão destes últimos “acidentes”. Sou engenheiro e na minha formatura, lá pelos anos de 1982, nosso paranínfo dizia que o Brasil seria o país do futuro, o país para seus netos, nossos (os engenheiros) filhos.
    Os anos se passaram e quase nada aconteceu. E o porquê disso? Simplesmente porque todos nós sempre nos calamos em situações como esta.
    Todos não, porque você teve a coragem de escrever este post revelando toda sua indignação. Fico feliz que vc o fez. Sabemos que é pouco mas devemos nos lembrar que “uma grande caminhada sempre começa com o primeiro passo”.
    O Brasil só vai mudar quando as pessoas começarem, como você o fez, a se indignar com aquilo que não está certo e exigirem medidas severas para a correção de tal fato.
    Parabéns pela sua coragem e pela sua indignação, fico feliz de poder ser seguidor deste seu blog tão lindo.
    Um grande beijo,
    Felipe

  3. O hopi hari é um empreendimento que nunca deu lucro para seus acionistas e ha uns 2 anos atras, qdo estava a beira de fechar as portas , foi comprado por um grupinho de investidores da nova geracao. Seguranca nunca é prioridade quando se trata de receber retorno pelo capital investido.

  4. Como natalense, eu posso lhe assegurar: a frequência de notícias sobre acidentes com morte envolvendo bugueiros e turistas é muito alta e eu sempre sugiro a quem me pede informações sobre o passeio que nunca responda ao motorista “com emoção”.

    • Patrick, visitei Natal há alguns anos e vi a briga acirrada entre empresas de turismo e bugueiros autônomos pelos turistas. A empresa de turismo tentava conseguir clientes para os passeios de buggy falando mal dos autônomos, dizendo que não ofereciam segurança, que se o carro quebrasse eles ficavam a pé. Mas ofereciam o passeio “com emoção”.

  5. Bom, Bertioga é cidade vizinha de onde moro.
    O garoto q atropelou a menininha mora aqui na minha cidade, mora em um condomínio de luxo, os pais dele tem bastante dinheiro, li no jornal hj q o jet sky é do padrinho do garoto, o mesmo não se apresentou hj pra depor como havia sido combinado, o advogado deu a desculpa que o menino corre risco de vida já q a sociedade está revoltada com o caso, acho tudo absurdo, torço pra q o filhinho de papai mofar na fundação casa, tempo bastante pra refletir a merda q fez.
    Vi hj no trabalho a noticia da moça d Hopi Hari e é o cumulo não darem a devida importância a segurança, a maioria dos “acidentes“ são evitaveis!!! Qto ao acidente da tirolesa não vi, maso q vc disse é a triste realidade pesoas viram estatisticas…
    ÓTimo texto!! Parabéns!!

    • ta rolando boatos por aqui que é da família do “barão do lixo” (possivelmente ele próprio o dono)

      é… o mesmo do aterro de itaquá, onde teve aquela explosão

    • Cara, não precisa se exaltar achando que o guri aí é um boy mimado querendo se exibir, ele pode ter feito a cagada, mas a culpa ainda é dos pais que não ensinaram onde fica o penico. Aliás, é só uma criança cara, sem plena consciência do que faz. Imagina se ele tem alguma consciência, e estiver desorientado se sentindo culpado, arrependido? Vai fazer o quê? Passar por cima dos pais e se jogar na cadeia? Nesses casos só consigo culpar os pais pela atitude covarde de querer acobertar o filho e ignorar completamente a vítima.

        • nossa, ou vc esqueceu como é ter 14 anos (no meu caso foi exatamente em 2000) ou nunca andou de jet ski e tá fantasiando um monstro de 7 cabecas! qdo eu tinha 13 anos passei uma semana em um resort a beira de um rio em assunçao, capital do paraguai, andando loucamente de jet ski o dia inteiro, tds os dias! é extremamente fáçil de pilotar. eu juro por tudo q há de mais sagrado na terra q eu não SONHAVA q aquilo poderia ser perigoso! nem meus pais na epoca! nem os pais das minhas amigas q tb andaram! parecia so um brinquedão aquatico! tanto q no hotel nao tinha nenhuma restriçao e nem recomendaç’oes de segurança! simplesmente não passava na cabeça de ngm q aquilo poderia ser perigoso. perigoso como? se ao cair vc cai na água de colete salva vidas? ignorancia mesmo! é pedir demais querer q um adolescente de 14 anos saiba q esta na iminência de cometer um assassinato ao ligar um jet ski! é um caso claro de ignorancia generalizada! antes desse acidente, geral nem sabia q precisava de arrais pra pilotar o jet! fato! agora é td mundo especialista e mto consciente dos riscos pq ta no jornal! a questão e conscientizar as pessoas de q nao é um brinquedo! não existem monstros nessa história. foi um homicídio culposo, claro, mas é tao nítido q não houve nenhum pingo de intençao em machucar ngm q ta ridicula essa tentativa de linchamento do menino e da familia dele.

          • Juliana, fale por si mesma. Eu já sabia que precisava da carta. Eu conheço muito bem esse tipo de coisa.

            E alegar desconhecimento há uma, duas décadas, tudo bem. Hoje as coisas são diferentes. Ah, e alegar que “não sabia” não tem nenhum valor jurídico.

          • eu falei q tem valor jurídico? eu falei q é homicídio culposo. sem intenção. logo, o linchamento é ridículo. se eu dissesse q “não sabia” tem valor jurídico eu chamaria isso de excludente.

          • olha, eu entendo q isso não é uma discussão pessoal, é uma discussão sobre fatos. pra mim, pelo menos, não é pessoal. se eu for me enfiar nos exemplos, eu nem consigo mais discutir pq, né? entrou emoção! adeus razão, eu sou da família da vítima! óbvio q eu vou defender só a família da vítima! ou seja, não cabe. e o fato é q não foi intencional. foi negligência? provavelmente! q paguem pela negligência na justiça! e pronto. mas alguém merece ser achincalhado em público por ser negligente? o próprio nome não diz q foi um erro e não crueldade? qdo vcs, perfeitos, aprenderem a nunca fazer cagada, me ensinem a fórmula! eu quero! pq do mesmo jeito q dá pra se por no lugar da mãe da menina tb dá pra se por no lugar do menino. isso não chega a lugar nenhum! dá pena dos 2! n é isso q está em questão! acabar com a vida do adolescente e da família dele não vai trazer a vida da garotinha de volta! é só se meter a justiceiro barato sem pensar no q tá fazendo.

  6. O mais absurdo no caso do Jet Ski foi o fato da família do garoto não ter se pronunciado, nem oferecido ajuda.
    Eles estão “zelando” pela vida dele, mas e a vida daquela garotinha? Pensaram nisso? E a vida da família dela?
    Isso é o ser imundohumano se deixando levar pelo falso poder que o dinheiro dá…
    Agora é preciso mesmo, muita atenção com esses esportes, se for praticar, que seja com uma equipe legalizada e preferencialmente indicado por algum amigo/parente que já tenham ido.
    Nós, como cidadãos temos o direito de nos divertir, mas o dever de cobrar, questionar, pesquisar, sermos “chatos” e exigentes principalmente pelo que é mais caro e não tem valor que supere: Nossa Vida!

  7. Letícia, digo o mesmo que o Felipe aí em cima: o pouco que você fez conta muito para impedir que outros morram por negligência e descaso com a vida alheia. E é muito melhor do que não ter feito nada.

    Quando foi publicado eu não te contei pra não te chatear lembrando uma história triste. Mas o jornal O Globo aqui no RJ, em duas vezes que falou de voos duplos de asa delta, seja para divulgar a “maravilhosa experiência” de alguém ou para falar de pessoas que sofreram acidentes, não informou que os voos são proibidos por lei. Eu só sei disso por você.

    Linda homenagem o clip!

  8. Realmente Lê! Tudo nessa bosta vira um número, uma linha do seu editor de planilhas.

    Mas não se preocupe com esses três exemplos, pelo menos o cidadão que rasgou um papel com a nota de uma escola de samba, foi preso no ato! Afinal, o carnaval é muito importante! E ele acabou com famílias, com sonhos, com sorrisos, com planos, quando rasgou aquele papel.

    Acidentes podem e devem ser evitados! Por todos! Hoje, lendo os comentários em alguns sites, muitas pessoas que passaram por esse parque nessa semana, relataram problema nesse brinquedo. Será que isso não poderia ter sido evitado?

    Um cabo de aço, antes de se romper, começa a “desfiar”. Será que ninguém viu?

    E o que uma bosta de jet sky estava fazendo na praia? Só para garantir ao zé ruela um momento de exibicionismo?

    Está na hora de mudanças no nosso código civil.

  9. pra mim, o pior do Brasil eh o “brasileiro”… há sempre alguém tentando burlar, esquecer, desviar leis e regras…
    Nao eh à toa que eh o unico pais onde se ouve a frase: “essa lei na vai pegar”.
    Como assim? Lei nao eh pra “pegar”! Eh pra ser cumprida e ponto final! E por culpa do “jeitinho” acontecem esses “acidentes”.

    • Bem, não encaro “jeitinho brasileiro” como algo ruim, existem regras que aceitam exceções. O “jeitinho” irresponsável é que é uma sacanagem, e é só isso que o pessoal quer fazer. Quando é para arrumar um jeitinho de entregar seu protocolo no finalzinho do expediente, ninguém quer fazer e te manda voltar no dia seguinte, mas para receber propina e deixar você escapar da blitz…

  10. É esse senso de dever (genuíno) que deveria nortear todo Jornalista.
    As notícias são chocantes, doem demais, principalmente quando a gente vê que as vítimas estavam se divertindo, inocentes de toda forma, e, de repente se viram brutalizadas de forma irremediável. E depois vem um advogado oportunista, com seu discurso de porta de cadeia, dizer que foi uma fatalidade, dando uma desculpa manjada, como se justificasse o injustificável. Já passei por isso. Já vi o filme da impunidade rondar minha família quando perdi minha irmã. Meu pai e minha mãe receberam dois mil reais à guiza de indenização e ponto. É duplamente brutal. Uma vida promissora se vai e as nossas ficam, devastadas e injustiçadas.
    Excelente texto, como sempre. Beijo e fique bem.

      • Faz mais de quinze anos. Era fim de tarde de um domingo, e um ônibus de empresa particular, cujo motorista (bêbado) não estava em serviço, bateu no carro do meu tio. Havia cinco pessoas no carro, mas só minha irmã morreu. É um assunto que não se fala mais na família, então eu não sei a quantas ficou o processo… Só me lembro da dor da perda e até hj me pergunto como seria se ela ainda estivesse aqui. Cada merda que acontece na minha vida me faz lembrar da falta que ela faz, mas eu segui em frente, simplesmente. Obrigada por se importar.

  11. Só posso assinar embaixo de cada palavra sua e lamentar que a Letitia e uma só…Eu considero todos os seus posts de ” utilidade publica “,você faz um grande trabalho,você acorda as pessoas,faz elas pensarem…parabéns especialmente por levantar mais essa questão,sua luta deveria ser de todos nos!

  12. Poxa…. Sem palavras! Vc expressou tuuuudo que eu senti ao ver todas essas noticias!!! Tive a mesma sensacao qdo fui ao hopi hari em 2010: descaso! É triste….

  13. concordo com tudo. vejo as pessoas falando de coisas gravíssimas como se estivéssemos tratando apenas de números, de estatística. a revolta que você sente é a mesma que eu sinto quando dizem que a entrega do meu apartamento está atrasada há um ano e meio por causa do “boom do mercado”, e não me pagam nem um centavo de multa. Claro que nem se compara com a dor de perder um ente querido, mas em ambos os casos parece que estão falando de um sapato que veio com defeito, sabe? Não prece que estamos falando de vidas, de casa própria! Para as construtoras não muda nada.. minha dívida está sendo reajustada e como se não bastasse não ter a casa pra morar, a cada dia devo mais pra eles. E as pessoas que mudaram a vida inteirinha por causa da falta de planejamento deles? Quando a gente acha que o ministério público vai fazer alguma coisa, eles pioram a situação e deixam as construtoras numa posição mais confortável! Enfim, não tem a ver com segurança.. mas tem a ver com o descaso infinito com que tratam certas coisas nesses país. Pra mim, pelo menos, segurança e casa própria são assuntos básicos, e não supérfluos. Bjo!

  14. Certa vez, quando questionei sobre a segurança do local, os responsáveis me responderam:

    “A segurança para o Hopi Hari é um assunto inegociável. O Parque é uma empresa de entretenimento que visa o bem estar de todos os visitantes que passam por suas dependências, buscando sempre preservar a magia e o encantamento, garantindo TOTAL SEGURANÇA, oferecendo treinamentos aos seus funcionários e colaboradores, para mantermos a excelência em nossos serviços”.

    No mesmo ano, empreendi com alguns alunos uma viagem com o único objetivo de conhecer e aproveitar o parque Hopi Hari. Depois de 9 horas dentro de um ônibus, todos ansiosos para desfrutar do passeio, nos deparamos com algumas situações bastante decepcionantes. Entre elas, muitas das que você já citou:
    1. Péssimo atendimento no parque: desorganização e excesso de gente. Todos sabotam a fila e não há controle nenhum… É um empurra-empurra medonho e não há NINGUÉM para controlar.
    2. Não existe uma fiscalização para evitar que pessoas entrem com bebidas alcoólicas, drogas ou armas… Se eu fosse maluca, poderia ter muito bem entrado com uma Auto-Assalt 12 (AA-12), disparado 300 rodadas de bala por minuto e ninguém iria poder fazer nada…
    3. Má conservação do local: há chicletes espalhados pelo ambiente todo e os brinquedos, ao que parece, não passam por uma reforma (ou mesmo pintura) há muito tempo…

    Uma lástima.
    Vale a pena lutar pela causa e orientar os amigos e familiares para que situações trágicas como esta não se repitam.

  15. Segurança. Investir neste item, importantíssimo, custa caro, muito caro, eleva os custos, etc. Sendo assim, a grande maioria das empresas de lazer e turismo optam por soluções mais baratas: não contratam profissionais especializados para manusear o equipamento – como vimos em Águas de Lindoia; não fazem a manutenção preventiva adequada nos equipamentos – como no Hopi Hari. Já o caso do garoto que atropelou e matou a garotinha em Bertioga só pode ser classificado como imprudência, falta de responsabilidade. Acidentes podem sim ser evitados. Infelizmente três vidas foram interrompidas. O que aprendemos com isso? Quais atitudes serão tomadas para que novos “acidentes” como estes sejam evitados. Nós, brasileiros, devemos nos mobilizar e cobrar atitudes das autoridades competentes, chega de apenas criticar e não agir. Certamente não temos o poder de mudar o mundo, mas podemos fazer diferença nos locais onde frequentamos. Por exemplo, se vc estiver em algum lugar que ofereça qualquer tipo de aventura como bug jump, tirolesa, rappel e afins, certifique-se que todos os itens de segurança estão sendo tomados, que haja profissionais treinados para executá-los e dar suporte aos turista. Ao perceber qualquer tipo de irregularidade, denuncie. Faça sua parte. Se começarmos a nos movimentar, aos poucos provocaremos algumas mudanças. O que não dá mais é ler notícias como essas e cruzarmos os braços e dizer: é triste, mas ainda bem que não foi comigo, nem com alguém próximo a mim. A dor de nossos semelhantes deve ser sentida por nós também.
    Parabéns, Letícia. Seu texto é ótimo e muito oportuno. Sou sua fã. Beijos, querida.

  16. Letícia, fico impressionada com o descaso com a segurança que alguns parques e centros de diversões tem, como se o acidente fosse se justificar pelo “azar”.
    Aliás, azar é uma palavra que não existe. Não para meu trabalho. Sou Oficial do Corpo de Bombeiros do RJ e sei, bem de perto, que os acidentes ocorrem por uma série de “acasos” (?!), de acontecimentos que juntos somatizam em tragédia, ou que, isoladamente já causam impacto – em sua maioria, motivados pela negligência.
    É absurdo o conformismo de todos: donos, usuários e da fiscalização, entretanto, esses locais tem por obrigação seguir normas não só da ABNT, como de um Código de Segurança estabelecido pelo Corpo de Bombeiros, visto que é a Corporação que visita e emite um laudo de exigências para funcionamento que, após estar de acordo com o Código, torna o local apto para funcionar (dentro daqueles termos).
    Porém, a fiscalização não é feita por nós.
    Ou simplesmente não é feita.
    Onde entra a culpa do cidadão, eu não sei. Visto que eu, antes de tudo, sou também cidadã, e observo o descaso não só em parques, mas em edificações antigas, casas de shows que operam sem o aval do CBMERJ, etc etc etc.
    O resultado disso você já sabe e descreveu perfeitamente!

  17. Nossa, fiquei chocada com todas essas notícias. Lamentável demais. É tanta coisa errada nesse país, que as vezes a gente se cansa até de reclamar, se revoltar, se compadecer. Triste, mas verdade. Bom vc fazer esse alerta no seu blog.

    Pra vc ver, estou indo morar no Rio dia 03/03 (sei que vc vai passar uma semana lá tb ^^). Já havia ido duas vezes, e sempre tive vontade de fazer esse voo de asa delta, parapente, whatever… Dessa vez, me planejei pra conseguir realizar esse desejo, mas depois do que vc disse, perdi total a vontade. Não vale a pena arriscar a vida por isso. Nunca imaginei que fosse algo proibido, nem sem segurança. Absurdo!

    Ah, mudando de assunto… Queria um help seu. Então, não conheci muito as baladas no Rio quando fui, além de uns bares na Lapa. Queria umas dicas de lugares legais e ace$$ìveis pra dançar e beber com o namorado. Eu e vc, pelo o que vejo, temos o mesmo gosto musical (indie, rock em geral). Também gosto de eletrônica pra dançar, mas prefiro lugares sem aqueles bombados com corrente no pescoço e piriguetes siliconadas. ahahahaha Enfim, confio no seu bom gosto. =)

    Beijos!

  18. uma moça de onde eu trabalhava já sofreu um acidente feio. ela se estrupiou toda, ficou internada e, até ano passado, não havia recebido um tostão furado de indenização. o “instrutor” morreu, acho q saiu no globo pq ele era famoso dessa area, mas não lembro agora o nome. eu fiquei chocada em saber que uma dos passeios mais propagandeados aos turistas que vem ao rio seja ilegal.

    eu sei que não tem relaçao direta com isso, mas me lembrei na hora das milhares de proteses de silicone vendidas como se fossem confiaveis. as pessoas realmente nao tem como saber que oq estao adquirindo não é bom, nao é fiscalizado, é arriscado. elas pagam caro (tanto no caso da asa delta, como no do silicone) por acreditarem na palavra do profissional.

  19. Aliás, isso lembrou um texto sobre privacidade que li a uns dois anos atrás: as pessoas aceitam esses absurdos como “estatística” porque acreditam que nunca vai acontecer com elas.

  20. Oi,

    Enquanto, infelizmente , o custo e o risco de processo cível e penal por manutenção negligente for menor que o custo de manutenção “acidentes ” vão se repetir.
    Há poucos meses, em um destes parques de subúrbio aqui no Rio, uma morte ocorreu em brinquedo com laudo assinado por engenheiro que nunca viu o equipamento.
    Talvez uma ação popular para decreto lei com aumento de pena, fim de fiança, enquadramento de autoridades do estado, possa educar a quem assim age.

    Mudando de assunto , já que vem ao Rio , me deixe conhecê-la e levá-la para jantar .
    Você é pessoa que acredito valer muito a pena conhecer, por seu discurso inteligente, antenado, aberto.
    Você tem meu e-mail neste post, deixe-me por favor saber como te contatar.

    Felicidades !

  21. Lembrei daquela menina, que foi sugada pelo ralo da piscina do condomínio.. a mãe dela, me parece, tem um blog e luta com todas as forças para evitar que outras familias passem por isso..

      • Acompanho o blog dela. É a Odele. E ela parece uma voz solitária, em meio ao descaso. De um modo geral, as pessoas acham que a família da vítima tem que se conformar em seu luto e seguir em frente, porque foi uma “fatalidade”, não havia nada que pudesse ser feito para evitar a tragédia. Passo a passo, arduamente, a Odele pesquisou e conseguiu provar que não foi uma fatalidade, nem obra do acaso. Foi imperícia na construção da piscina e descaso com a manutenção. A história da luta dela é linda…

  22. por favor! não briga comigo! eu sei que voce nao gosta que invadam sua vida, seu modo de pensar.mas e daí se o povo te cobrava pra ser mais engajada com causas mais importantes.a sociedade é tão hipócrita, que aposto que muito desses que te cobraram(cobram),não levantam a bunda do sofá pra ajudar ninguém, nem animais.não se sinta pressionada.tenho a impressão que vc comentou sobre sua carta ao hopi hari para se justificar. vc não precisa. abraços

    • Não, Maria Clara. Eu comentei a carta do Hopi Hari para mostrar que HÁ CINCO ANOS eu notei que algo estava errado lá. E, de lá pra cá, dois jovens já morreram no parque. Só isso. Eu não devo satisfações a absolutamente ninguém.

  23. Passei a virada de ano num barco na Baía de Todos os Santos em Salvador. Disseram que o barco teria vaga para 180 pessoas. Inicialmente eu achei que não iria tanta gente e aceitei participar. Porém, na hora, tinha mais do que 180 para um barco bem pequeno e a própria tripulação dizendo que esperava apenas 100 pessoas.

    Se eu estivesse só, não aceitaria participar, mas como estava com amigos que queriam ir de qualquer jeito, fui. Eu pelo menos sei nadar e não iria beber…

    A maioria das pessoas estavam tranquilas, mas eu fiquei tenso toda a noite. Só relaxei quando o barco estava bem perto da terra. Felizmente não aconteceu nada, mas não aceito participar de uma dessas nunca mais. A galera precisa ter mais consciência na hora de se divertir. Imagina aí, um naufrágio à noite, em um barco onde quase todo mundo estava bebendo…

    • Seu caso mostra bem como as coisas funcionam. Aposto que sequer tinha colete salva vidas pra todo mundo. Lembre-se do caso Bateau Mouche, há milhões de anos no Rio de Janeiro. Uma tragédia que poderia ter sido evitada.

  24. Letícia,

    Não sei o que me deixa mais chocada: as autoridades permitirem a reabertura do parque, ou os pais levarem seus filhos para lá como se NADA tivesse acontecido. Alguns, inclusive, declarando que, se a torre estivesse aberta, brincariam nela, afinal “foi APENAS uma fatalidade”.

  25. O pai de um amigo morreu num domingo de Carnaval num pesque e pague. A vara dele encostou na cerca elétrica e o choque causou parada cardíaca. Foi em 2005. Meu amigo abriu processo civil e penal, mas não sei como estão as coisas…

    É muito triste mesmo. Eu havia convidado ele pra ir em uma festa de rock “anti-carnaval” comigo, mas ele não foi porque era tradição de pai e filho… e quando voltei das festas, a notícia. É um absurdo um pesque e pague deixar uma cerca elétrica ligada, próxima aos açudes e sem sinalização.

    Eu acredito mesmo que os donos do lugar ficaram chocados e tristes com tudo, assim como os donos do sítio onde a dona Maiza morreu. Mas “isso nunca aconteceu antes”, e “nunca imaginamos que poderia acontecer” são horríveis demais pra se ouvir quando um parente morre.

    Você é dono de um lugar que recebe pessoas, é sua OBRIGAÇÃO imaginar tudo de ruim que pode acontecer e evitar tudo o que estiver ao seu alcance.

    Verificar se a cerca elétrica está no raio de alcance das varas de pescar é tão difícil assim? Tão inusitado?

    • Sharon, desde que me envolvi com esse tema eu já soube de várias, várias mortes que seriam facilmente evitadas. Isso é assustador. Claro que ninguém DESEJA que alguém morra, mas faltar com o cuidado com a manutenção, com a parte elétrica e com o treinamento com os funcionários, só para citar alguns, é criminoso!

  26. Sim, acidentes podem e devem ser evitados.

    Não quero puxar sardinha para o lado do parque, mas alguns comentários seus, no texto, estão BEEEM desatualizados, 2007, época negra do parque, vamos ver, 2 meses atrás TODAS as travas da torre foram trocadas, menos a que a menina estava, pois ela era uma trava que estava interditada há anos, pois havia risco de alguém muito alto, bater os pés na estrutura que forma a “Torre Eiffel” e não faz sentido fazer manutenção duma cadeira que está interditada, aliás, Ekatomb e Crazy Wagon receberam reformas que duraram mais de 1 ano, por fim, abriram em Dezembro de 2011! Katapul (vulgo Looping) teve todo seu maquinário reformado, e agora, toda a região de Aribabiba está sendo reformada, além de Infantasia que foi reformada também (foto ilustrativa http://bit.ly/ztfEZb ).

    Montanha-russa nova sendo construída, o parque estava na sua “época de ouro” e um acidente desse, por erro idiota de técnicos e operadores vem para manchar totalmente a imagem do mesmo. O parque tem sim que pagar pelo que aconteceu, mas desejar o fechamento do mesmo é meio que demais, quantos empregos o empreendimento gera, diretos e indiretos? MUITOS.

    Fechar o parque ali, é assinar um atestado da morte do turismo em Vinhedo! Da perda de empregos! São empresas de ônibus que dependem do funcionamento do parque para obter lucro, taxistas, muita, muita coisa, ninguém pensa por esse lado.

    Pode parecer que eu não me importo com a menina, mas me importo sim, foi uma vida que se perdeu, mas, o mundo não pode parar!

  27. OLHA SÓ TENHO UMA COISA A DIZER GALERA WELCOME BRASIL ONDE AS LEIS SÃO FAVORÁVEIS, AOS POLÍTICOS CLARO!! E UM PAIS ONDE A CADA ANO QUE PASSA A É UMA NOVIDADE, ONDE PESSOAS COM SONHOS E PLANOS PARA O FUTURO VIRAM ESTATÍSTICA E A IMPUNIDADE CADA VEZ É MAIOR ABRAÇO A TODOS E QUE NOS PROTEJA A CADA DIA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.